At home

Charles MELMAN
Date publication : 22/03/2022
Dossier : Traduction éditoriaux
Sous dossier : En portuguais

 

 At home

 

É provável que, familiarizadas com a Internet, as novas gerações possam se espantar que a posse territorial ainda seja um marcador de poder e que para garanti-lo nos engajemos na guerra. A competição hoje é de fato sobretudo tecnológica e a dependência está ligada, por exemplo, à apropriação dos meios de comunicação.

O progresso técnico tornou-se assim a continuação da guerra por outros meios, de modo que nos espantamos que reivindicações territoriais surpreendentes possam ao mesmo tempo expor ao risco de destruições fatais recíprocas, um anacronismo. É verdade que para os interessados ​​– China e Rússia – o domínio sobre Taiwan ou atualmente sobre a Ucrânia tem, antes de tudo, valor de símbolo, a báscula do poder mundial em benefício dos antigos perdedores.

Uma observação, porém, que nos desilude e nos traz de volta aos nossos fundamentos: se a "liberdade" significa aquela deixada às expressões possíveis do sujeito, histéricas, então, será que temos que defendê-la quando uma palavra servil porque marcada por um traço identitário comum é equivalente no fracasso, àquele de estabelecer uma relação sexual? Mas com uma particularidade, porém – vocês verão que este editorial pode ter um sentido – que é, neste caso, a servilidade, a aceitação de ser um morto-vivo, um um que seja ao mesmo tempo deste mundo e do Outro, ainda agitado ou então já enrijecido porque o discurso que ele emite o precede e lhe dá a sua voz (organe), sem sequer esperar dele o eventual sacrifício que permite que o discurso do mestre continue a ronronar.

Tenho a impressão de não ser engraçado, e de, como ao final de nossas jornadas, opor a salmodiação  do discurso do mestre com o desembestar histérico. E como nenhum dos dois caminhos pode ser satisfatório nem trazer o que quer que seja, sublinhar o interesse do discurso analítico, ele que não consegue se articular por não romper o semblante, se virem com isso. Ou seja, procurem em Lacan como ele próprio se debateu com isso, em uma época em que a guerra devastava a Europa, e sem ter a certeza de que ele respondeu melhor.

Até breve, eu espero.

 

Charles Melman
21 mars 2022
 
 
 
Les responsables pour la traduction sont Eduardo Rocha, Monica Magalhães, Maria Idália de Góes, Simone Gryner e Marcelo J.de Moraes (cartel de traduction du Espaço-Oficina de Psicanálise)

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