UR AMA VOCÊS ?

Charles MELMAN
Date publication : 03/11/2021
Dossier : Traduction éditoriaux
Sous dossier : En portuguais

 

UR AMA VOCÊS[1]?

 

Aos meus amigos engajados na política eu dizia há uns 2 ou 3 anos que não deixaria de surgir para a eleição presidencial um desconhecido suscetível de ganhá-la. Aos beneficiários da globalização, ou mesmo da chinização, se oporia UM que faria ouvir a voz daqueles que são atingidos em seu último bem: sua identidade, em maus lençóis e até mesmo reduzida a pedir desculpas.

O fato original é que esse intruso então é judeu, sem se incomodar em tentar fazer ouvir a voz da França ameaçada de dissolução pelo famoso “ao mesmo tempo” a que se deveria acrescentar, para ser explícito, “no mesmo espaço”.

O que é engraçado é que há um outro do mesmo tipo, e também popular, mas que atua em um outro espaço. Stéphane Bern, nascido Bernstein, contou como seu amor pelas Cortes da nobreza lhe veio pela ação do Grão Duque de Luxemburgo - o país de origem de Stéphane - durante a guerra, para proteger os seus judeus.

Pode-se também notar que no campo intelectual é ainda um judeu, acadêmico desta vez, que se vale de todos os meios para defender os valores nacionais ameaçados.

Durante a Primeira Guerra Mundial apelou-se para africanos. Eis que agora são os judeus que ocupam as trincheiras, sem que nada lhes tenha sido pedido, voluntários.

Obstinados a querer defender a origem mesmo que não seja a deles: OUR/ UR[2] cidade mítica onde nasceu Abraão, mas queue[3], mítica talvez também em grego, e em alemão prefixo que assinala um retorno à origem, ao primitivo, a isso que é primeiro.

Com a liquidação da transferência, Freud fez da dissipação dessa ilusão uma finalidade do tratamento, Lacan não ensinou outra coisa, incluída aí esta origem que ele podia cultivar com sua própria pessoa na psicanálise.

No contexto atual da dissolução identitária que significa a limpeza de seu lugar por um ocupante por vir, que teria dito Lacan?   

 

                                                              Charles Melman

25 de outubro de 2021

 

Les responsables pour la traduction sont Eduardo Rocha, Monica Magalhães, Maria Idália de Góes, Simone Gryner e Marcelo J.de Moraes (cartel de traduction du Espaço-Oficina de Psicanálise)

 

[1] O título em francês evoca também o político de extrema direita Éric Zemmour pela homofonia entre “Vous aime our?” e “Vous Zemmour? ”.

[2] Aqui pode-se ler também o possessivo “our” do inglês.

[3] Queue, significa retarguarda, mas também pênis em linguagem popular.

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