Accueil

 

Remo da popa

MELMAN Charles
Date publication : 31/12/2020
Dossier : Traduction éditoriaux
Sous dossier : En portuguais

 

Remo da popa

Na tela da opinião pública cada um faz passar ao mesmo tempo seu próprio filme, de sorte que cada tumulto incoerente é hoje o barulho de fundo generalizado que absorve rapidamente toda intervenção. Portanto, não há mais saber partilhado que faça autoridade, e é até a denúncia de seus guardiões supostos, ditos “as elites” que têm podido servir de programa vencedor ao líder da primeira democracia. Para, no lugar da verdade, “dizer ao povo o que ele quer escutar”, é preciso ainda ter uma ideia do que ele deseja. Ora, o que ele deseja é conhecido: ele quer a igualdade, quer ela seja de classe ou de sexo e que a força do chefe tornada assim totalitária transmita-se diretamente a cada um de seus soldados, a felicidade. Esparta contra Atenas, velha história. Mas para permanecer sabiamente em nosso pequeno domínio, é divertido ver que ele parece regrado pelo mesmo dispositivo. Quantas vezes eu tive que escutar boas senhoras da Escola lembrar que a teoria não era senão a maneira que os rapazes tinham de se assegurarem sobre o fato de saber sobre isso um pouquinho e que o verdadeiro patrão é o não sabido. O que é verdade – admiramos de passagem a igualdade assim afirmada entre inconscientes – exceto que nossos amigos permaneciam incapazes de descobrir o que move seu saber inconsciente, por falta de teoria. No outro extremo, vê-se grupos intitularem-se de uma mestria saber, dominação de tudo o que se move e portanto do inconsciente. Admiramos portanto o equilíbrio de nossa Associação, sua maneira de substituir com humildade a ginga à Godot. 

Charles Melman
26 de novembro 2020

Tradução: Letícia Fonsêca

Espace personnel