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Confinamento intelectual

MELMAN Charles
Date publication : 29/04/2020
Dossier : Traduction éditoriaux
Sous dossier : En portuguais

 

Confinamento intelectual
 
Nunca se chegou a decidir o que era a causa do bem, em compensação termina-se regularmente concordando o que se julga causa do mal. Acontece que hoje – e, então, quem negará sua evidência – ela se chama: vírus.
 
Invisível no campo das representações de outra forma que pelos desgastes que engendra, infiltrado sem que vocês o saibam, mestre do jogo já que ele comanda as condutas, isolando cada um na intimidade de sua singularidade, ele decide sobre a vida e a morte segundo seu capricho e sem que se saiba exatamente como amansá-lo.
 
Eu conheço os que estão alucinados por ver nisso a duplicação inesperada da instância psíquica dita fálica até aqui dominadora, que a sociedade mercantil tem agora forcluído e a qual ela tornou com esse animalzinho presença imediata e não mais simbólica.
 
Os mesmos não consentem em atribuir-lhe a faculdade de saber ler ainda que se saiba que o vírus age perturbando a sintaxe da ARN de seu anfitrião, que será tomada entre outros sintomas por um balbucio autoritário acelerado que definirá todos os discursos.
 
É chocante ver que os países que melhor se saem nisso são aqueles que conservaram um discurso do mestre, único traço que é comum em sua diversidade. Em troca, não parecerá absurdo reservar aos outros o tipo de confinamento ao qual a promoção da individualidade já percebia. Há pela Internet uma forma de epidemia – a tomada em massa pela transmissão fulgurante de fake news, por exemplo, e que atinge milhões – ativa antes da co-vid[1].
 
Como eu o repito, cuidado quanto a uma saída celebrada pela vitória do general.
 
                                                                                         Ch. Melman
                                                                                21 de abril de 2020
 
Traduction faite par Leticia Fonsêca
 
 
[1] No original co-vide: corte silábico que alude ao vírus ‘covid’, bem como a ‘vazio coletivo’ co-vide.

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