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O pior de meu miolo

MELMAN Charles
Date publication : 25/03/2020
Dossier : Traduction éditoriaux
Sous dossier : En portuguais

 

O pior de meu miolo[1]
 
 
Concordo imediatamente de que o jogo de palavra é execrável, mas o excesso tornou-se nosso amigo. Aqui ele concerne a transmissão da qual a epidemia é precisamente um excesso lamentável.
Magnífica ocasião para lembrar que há dois modos de transmissão e apenas dois. Um que opera a partir de um real imposto a todos: a tirania, a religião, o pai, pela graça dos quais cada um é atingido da mesma maneira. O outro que passa de um significante a outro, no corpo a corpo, no contato direto, portanto sem mediação, na busca do limite que pararia um processo forçosamente doentio uma vez que nada aí suporta a vida.
Estou persuadido de que nossos amigos reconheceram de imediato os processos que operam no discurso, diferente de um lado e do outro.
Ao mesmo tempo eles identificaram, é privilégio deles, o mecanismo lógico do populismo, transmissão pelo contato da exigência de um poder forte, que seria imposto a todos, e pararia a propagação da epidemia. E nossos “camaradas” que implicam com o interesse da psicanálise, o bazar aberto por Lacan, poderão sempre fazer os Kapos[2] dos campos que se abrirão. Mas como, exclamarão eles, um processo natural, a propagação de um vírus, seria informado da lei do significante? Ser[a preciso certamente indagar-lhes, constatando ao mesmo tempo, que, volens nolens, nós não temos outro meio para interpretá-lo senão essa lei.
Mas, é porque ela permanece desconhecida que não temos vacina contra o populismo, aquela contra o vírus virá.
Charles Melman
11 de março de 2020 
[1] No original, le pis, tem ainda o sentido de úbere (da vaca), bem com de pior ; Mamie = grand-mère (vovó) ou Ma mie = mon amie, mon aimée ( forme ancienne).
[2] Kapos: guardiões dos campos de concentração nazista.
 
 
 
Traduction faite par Leticia Fonsêca 

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