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Feliz Natal(ia)

MELMAN Charles
Date publication : 06/01/2020
Dossier : Traduction éditoriaux
Sous dossier : En portuguais

 

Feliz Natal(ia)

Uma professora de psicologia comentou que havia hoje dois tipos de crianças; aqueles que seus neuróticos pais achavam superdotados e aqueles retardados porque, diziam os pais, eles tinham sido vítimas de masturbação. 

É uma bela divisão e que tem o mérito de situar o problema: ou você prefere a tela ao sexo e aí você é o máximo, ou você se sexualiza, como vítima, claro, e aí você não vale nada, pobre trapo.  

Tomo também o risco de me exceder dizendo que o expurgo atual do sexo na cultura visa a eliminação do último espaço de resistência do mestre, o impossível, oposto ao totalitarismo específico da economia de mercado. Aquilo que antes era político, essa economia substitui com a adição ao objeto, manifestação suposta invisível e indolor da dependência no entanto absoluta, pois é isenta de rebelião ou quase: os ecologistas não chegaram ainda a mensurar isso. 

O sexo era o último abrigo de uma subjetividade que se tornou consistente pela autonomia do desejo e o capricho de suas escolhas: e então, tornou-se arcaico, uma história da vovó, nem um pouco progressista.

Inclinada com boa vontade sobre a cidade, a imagem gigante da mãe onipotente segura entre seus braços o objeto salvador com o qual ela ilumina as metamorfoses prontas para responder a todas as demandas. Porque não, nessa ocasião, uma criança? E para ele, feliz Natal! A nova boneca Barbie, de sexo neutro, nem de um nem de outro. De que então? Resposta: do Um uniforme. Isso lhes lembra alguma coisa? 

Charles Melman
14 de dezembro de 2019     
 
Traduction faite par Amélia Lyra

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