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Será a psicanálise uma causa defensável?

MELMAN Charles
Date publication : 18/06/2019

 

Será a psicanálise uma causa defensável?
 
 
É notável que Freud esteve um pouco só para sustentá-la, face à exacerbação que ela podia provocar, nos pacientes, das paixões tradicionais, éticas ou nacionais – como para Jung – ou banalmente egoicas em quem quer que seja. E eu e eu, foi também a palavra de ordem dos alunos de Lacan, um pouco escassa, reconheçamos.
 
Para o primeiro, tratava-se de colocar um fim à puerilidade da espécie, alienada por um ideal oscilante entre o Um totalitário e o excremento.
 
Para nosso mestre, a mutação cultural estava às portas, o que via  enfim em nossa dependência a respeito da linguagem a causa do sintoma e com ele da babaquice. Mas esse programa não podia ser defendido sem o desnaturalizar, nele inscrevendo uma palavra de ordem coletiva – de pé os danados do vivente[1] – antipático com a determinação individual que ele necessita.
 
Foi preciso que Lacan tivesse mais idade e começasse a gaguejar para que seus últimos fiéis começassem a mexer o rabo e a se organizar por trás daquele que afirmava ter a maior cauda[2] legitimada diante do notário, ainda por cima pelo título de “executor testamentário”.
 
Ele executou efetivamente, reduzindo aquele a um campo de treinamento para uma guerra que jamais terá o lugar de um ensino excepcional.
 
Deixa ele em paz nosso próprio grupo? A resposta poderá ser evocada em Lisboa.
 
 
                                                                    
[1]Possivelmente referência a debout les damnés de la terreL’internationale – hymne communiste.
[2] La queue designa a fila, o rabo de um animal; mas na linguagem popular, o pênis.
 
 
 
Charles Melman
05 juin 2019
Traduction en portugais par Letícia Fonsêca

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