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A cliniquenique

MELMAN Charles
Date publication : 18/03/2019

 

A cliniquenique
 
 
No quadro das melhorias a serem trazidas à espécie, é tempo de fundar a cliniquenique [1] – é, compreende-se, colocar a clínica em um leito de exame.
 
É notório, de fato, que a clínica psiquiátrica não retém a título de sintoma senão o que infringe a lei fálica. Ora, sigam-me com atenção, esta constituindo ela mesma um sintoma, quer dizer, uma maneira de sacrificar uma parte do gozo, a sintomatologia « daqueles » que procuraram fazer a economia disso, os doentes, corre o risco de se encontrar um tanto atrapalhado com isso.
        Entre uma clínica, portanto, fundamentalmente médica, que vê o corpo mas sem a foda, e uma psicanálise que vê a foda mas não o corpo, é urgente soar a conciliação: ser cliniqueniquicien [2]. A palavra é longa e disfônica mas bem formada e explícita.
 
        A lei da linguagem substituirá então aquela fálica, que não pode senão incitar os sexos a procurar conciliações próprias para evitar a virilaridade (viril + hilaridade) que termina por fazer chorar de besteira e empalidecer de medo. Masturba-se prá direita e prá esquerda.
                                                        
 
P.S. Para quando um diploma universitário de cliniquenique?
 
Com o risco, com certeza, que se tornasse logo um dahu[3].
 
[1] No original cliniquenique: aqui temos um jogo de palavras que articula clinique (clínica) com niquer, sendo esta uma palavra vulgar que significa foder; o que poderia remeter à: foda clínica, clínica da foda, etc. Na tradução para o português perde-se o jogo semântico.
 
[2] No original, cliniqueniquicien, seguindo o mesmo jogo de palavras, desta feita remetendo ao profissional – o  clínico da foda.
 
[3] O dahu é uma criatura legendária bem conhecida na FrançaSuíça e norte da Itália.
 
Charles Melman
7 de março de 2019
Traduction en portugais par Letícia Patriota da Fonsêca

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