Accueil

 

Ainda fazem falar deles

MELMAN Charles
Date publication : 01/03/2019

 

Ainda fazem falar deles

 

         Na televisão, o brilhante filósofo midiático, aquele que fala como uma Kalachnikov, diz que é preciso reagir ao antissemitismo, não pela moral, mas procurando sua causa. Para contribuir com sua coleta[1], que ele me permita propor-lhe duas mais.

         A primeira, a mais impressionante a meus olhos, é que não há. A tradição, de fato, quer que em toda família numerosa, um dos filhos seja sacrificado. Naquela que se multiplicou com o monoteísmo, está inscrito que haverá um, e por que não o mais velho, o preferido, justamente aquele que quis substituir um sacrifício humano àquele que era simbólico, que será remetido ao expedidor. Ele era de sobra, ele obstruía a perspectiva, impedindo que estivéssemos entre nós.

         Tanto que – e agora a segunda razão – ei-lo carregado como uma mula de tudo o que o decreto divino nos convidava a rejeitar, semelhante ao que constitui o inconsciente. Havia, na École freudienne, um infeliz que tinha descoberto que o inconsciente falava o yiddish! Não tinha compreendido que “judeu” era um qualificativo para designar o que havia a rejeitar em cada um de nós, e, como não conseguimos, o antissemitismo subsiste enquanto o judeu – nome comum dos membros de um povo – não há mais. Finkielkraut é assim a testemunha – membro do povo testemunha – de que judeus, houve, nostalgia, e que eles estão aptos a serem convenientes.

Que pena[2]?

Ch. Melman

20 de fevereiro de 2019

 

[1] No francês, quête tem o sentido de procura, busca, mas também de coleta para obras de caridade, esmola.

[2] D’hommage, jogo de palavras: tem o sentido de “cumprimento”, de “prestar homenagem”; ou o sentido de “que pena!”

 

Traduction en portugais par Letícia Fonsêca

Espace personnel