Accueil

 

Kétu?

MELMAN Charles
Date publication : 15/02/2019

 

Kétu?

 

Na École Freudienne, com meus amigos René Bailly, Claude Conté, Claude Dumézil e Christian Simatos, tínhamos inventado, sem saber, o cartel, onde sem sabermos antecipadamente eu representava a função do ao-menos-um, quer dizer, aquele que lembra que a especulação então partilhada – Lacan teria dito ‘o blá-blá-blá’ – era aquela dos conceitos dos quais ele era o culpado ocasional, válido portanto para a ocasião que nos concernia.

Acontece que, certa noite, para surpresa particular e geral, Lacan vem sem avisar compartilhar de nosso banquete.

E mais, para surpresa de todos – é verdade que na École chamavam-nos “a banda de Moebius” sem dúvida para sublinhar que nós tínhamos uma única face – a contribuição única de Lacan naquela noite foi de lembrar que eu era judeu.

Se eu tivesse ficado menos surpreso pelo que se oferecia como uma interpretação, eu lhe teria dito: “Cher Dr. Holmes, não há que duvidar que o Eterno ex-siste, é o zero. A prova disso é seu silêncio; ou, se se fala, o Um que aí se delega para se sentir menos só e assentar um significante sempre próximo do desmoronamento ou que procura todo tempo um substituto. Apenas, vejam! Ao se resignar à destruição, é o próprio zero que condenamos, em proveito do nada, do caos, do tumulto...”

Imagino que ele teria respondido: nada. De que, seguramente, agradecê-lo.

P.S. Nada porque seu conceito de “semblante” tinha respondido antecipadamente. Mas então, quem se supõe ter as respostas antecipadamente?

A gente não sai disso.

Ch. Melman

13 de fevereiro de 2019

 

Traduction en portugais par Letícia Fonsêca

Espace personnel