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Amigo ou aluno?

MELMAN Charles
Date publication : 27/06/2018
Dossier : Traduction éditoriaux

 

A dedicatória dos “Escritos” que Lacan me enviou na ocasião me qualificava de “seu amigo”.

Eu protestei veementemente, avaliando que no vago da amizade eu tivesse preferido o estatuto firme de aluno.

Mas onde se encontra a definição do que seria um aluno no campo da nossa disciplina?

Certamente, a esse respeito pode-se repetir indefinidamente o ensino do mestre, isso não garante em nada a aplicação do que é ensinado.

Pode-se também, isso é frequente, dividido pelos significantes tidos por mestres, tomar o estatuto de opositor: uma maneira de tornar a liquidação da transferência impossível, de ser de alguma forma um não aluno, aluno entretanto mas negativado, perenemente.

Adiantamos que o aluno seria aquele que, tendo uma vez reconhecido no Outro a ausência que vinha compensar o objeto de seu fantasma, faria disso o domicílio de uma subjetivação nova preocupada em tentar resolver, se for possível, o sintoma que causa o mal estar na cultura.

Para Lacan, era portanto a ausência da relação sexual, sua própria conceitualização sendo agenciada por esse projeto.

Infelizmente, eu nunca encontrei um outro projeto e, diríamos melhor, nem uma conceitualização que tivesse sido diferente porque ela lhe teria sido adaptada.

Em contrapartida, tenho visto às vezes, por fim de análise, uma legitimação da neurose, libertada por ter experimentado o silêncio do Outro.

            

Ch. Melman - 20 de junho de 2018

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