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Os analistas têm um traço ou algo em comum?

MELMAN Charles
Date publication : 13/06/2018
Dossier : Traduction éditoriaux

 

A partir do momento em que supostamente resolveram a própria relação transferencial, os analistas parecem, em geral, perdidos, em sua relação com a autoridade. Como se o aspecto de semblante que a transferência na análise revela, os deixasse em seguida desamparados para determinar as regras de sua conduta civil, bem como a validade dos conceitos. Certamente, na análise, a regra de abstinência tinha fixado um limite, feliz por causa do interdito que oferece à tentação da transgressão. Mas, afora isso, nada, à parte a facticidade das regras morais, como osso para roer.

Essa vacuidade parece entreter o gosto deles pela expressão tradicional da autoridade, fálica portanto, e seu exercício na vida de grupo.

É verdade, se contamos com a escrita do discurso psicanalítico, no qual S1 aparece no lugar do mais de gozar. Uma batalha furiosa pode ser empreendida desde então sobre a validação das regras ou dos conceitos. Mas essa argumentação não parece indispensável para sustentar lutas de puro prestígio – em geral não há outra aposta.

Na medida em que suas sociedades são regidas pela lei de 1901, eleições são legalmente previstas, mas a popularidade dos candidatos é complexa. Como o diz Lacan numa nota de rodapé, a confusão é sempre possível entre o 0, a nulidade, e o 1.

A nulidade não seria a verdade do que funda a autoridade? A chance é deixada aqui para muitos.

Certamente a evidência do saber posto neste lugar de mestria (discurso universitário) oculta o fato de que é o não-saber (não confundir com a ignorância) chamado também de inconsciente, que comanda.

Vou então me ater à indicação dada pelo discurso analítico que faz do “a” o objeto que comanda, dito de outro modo, o fantasma de cada um, condenando a vida do grupo a ser como um movimento browniano.

Há uma lei comum aos analistas?

                                                                       (segue no próximo número)

                                                                       Ch. Melman -  25 de maio de 2018

Tradução : Amelia Lyra

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