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A escola dos traidores

MELMAN Charles
Date publication : 06/04/2018
Dossier : Traduction éditoriaux

 

O fundador de uma religião pode saber que ele terá dois tipos de discípulos: os fiéis e os heréticos. O fiel goza da castração oferecida, enquanto que o herético prefere o gozo narcísico sem limite que permite a oposição.

O fundador da psicanálise, por outro lado, certamente teve que se surpreender de que uma disciplina suscetível de permitir liberar-se da religião suscitasse entretanto tantos traidores quanto fiéis.

A opção do herético é intelectualmente fundada. Aquela do traidor o é moralmente, a partir de uma tartamudez qualquer. 

Lacan é, sem dúvida, o campeão em número de traidores que um criador genial pode suscitar; eu os conheci bem, eram amigos.

Partidos reivindicando a liberdade de pensar, eles não pensaram absolutamente em nada, a não ser no ressentimento a respeito daquele que não pararam de assombrar numa trabalhosa cogitação para refutá-lo. Um dos amigos mais caros orquestrou assim uma tradução completa das obras de Freud, repulsiva. Ela se pretendia ser de uma fidelidade absoluta, contra a leitura livre que Lacan fazia dela.

Demonstração ao contrário de que a pretensa fidelidade absoluta é uma maneira outra de trair, quer dizer, apagar que há um sujeito operando no texto, e que se trata de decifrá-lo.

Vejam, exatamente um tema de trabalho: em que se reconhece o aluno, uma vez que ele ultrapassou o repeteco inútil, da heresia ou da traição?

Ch. Melman - 30 de março de 2018

 

Tradução : Leticia Patriota

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