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Prólogo

MELMAN Charles
Date publication : 15/02/2018
Dossier : Traduction éditoriaux

 

Da bacia onde se mexem os conceitos afim que a melhor cozinheira não encontrasse aí seus ingredientes, tentamos daí extrair dois ou três antes que eles se dissolvam.

Digamos que o exílio é um lugar, fora da comunidade, onde a gente se encontra só, uma punição ou ainda uma escolha, assim como do eremita ou do psicanalista.

A pena consiste em que aí se perde sua identidade sem encontrar uma outra, nesse deserto, assim reduzido a ser o dejeto de sua comunidade de origem.

O que não justifica a conduta do psicanalista, desde que ele esteja advertido da ameaça: ele não é obrigado, assim como os alunos de Freud, a ser tolo ou patife.

O imigrante é totalmente diferente, já que vindo de uma comunidade, ele procura instalar-se numa que é diferente. Paradoxalmente, ele pode não perder sua identidade que será reforçada por tornar-se real. Mas teria ele acesso ao Simbólico? É a questão.

Um efeito subjetivo comum se produz, entretanto, nos dois casos: a ideia de que teria um “em casa”, ideal que não chega senão porque é o Outro que o hospeda.

Então, se o solo que hospeda o sujeito é o Outro, concebe-se que ele não tem a nostalgia de um Heim senão porque definitivamente ele é inquilino. Não há senão o paranoico a se considerar proprietário.

A errância enfim é um outro negócio, quer dizer, aquela de cada um já que ninguém pode estar certo nem de seu lugar nem do caminho.

Boa sorte aos viajantes.

PS: Alguns aforismos recolhidos da boca de uma nobre dama de Fez.

O exílio não é partir, mas nunca chegar, e sabendo que o retorno não é possível.

De qualquer maneira, não encontramos, em nenhuma língua, o que desenvolve a orelha.

Uma retificando a outra, a lei se torna uma impostura.

Exilado e imigrado não são os mesmos, uma vez que o primeiro é tomado pela errância.

Não há nem acima nem abaixo, acossado entre superexposição e clandestinidade.

Ch. Melman - 7 fevereiro 2-18

Tradução : Leticia Patriota

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