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O autor de sobra

MELMAN Charles
Date publication : 18/10/2017
Dossier : Traduction éditoriaux

 

Os velhos vienenses a quem pude consultar porque eles frequentaram o meio, me confirmaram: na cidade, Freud era considerado como um déspota com seus alunos.

Lacan, do qual atesto que ele nunca interveio na direção da École Freudienne de Paris (ela tinha um diretório para assegurar essa tarefa), foi desacreditado pelo mesmo motivo.

Contudo, é fácil para nós verificarmos que não havia escolha.

De fato, na falta da instância que no Outro (à maneira da instância paterna) validaria a regulação da teoria psicanalítica, quer dizer, que lhe garantiria um Real próprio para alojar a “livre escolha” de um sujeito, só resta para afirmá-lo o dizer de um emissor que não pode autorizar-se senão por si mesmo, emissor cujos escritos valem forçosamente por ditos, fica esquecido que ele diga e receba sua própria mensagem do real que lhe é próprio, pronto para valer também como universalisável.

Para Freud a questão era: o que é um pai? Impossível de resolver.

Para Lacan: o que é uma mulher? Impossível de resolver.

Para seus alunos, “se eles querem ser lacanianos”, a questão é: e depende de um impossível?

tradução : Leiticia Patriota

 

 

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